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História

Monumento cultural e arquitetônico, o P.J. Clarke’s resistiu a grande depressão, lei seca, duas guerras mundiais, um ataque terrorista e à construção em massa de prédios e torres de escritórios. Durante sua história, ele teve cinco donos. Nenhum deles gostava de mudanças.

Um começo humilde: 1868 – 1912

Embora grande parte da história do P.J. Clarke’s tenha sido extraordinariamente preservada, os primeiros dias do lendário bar são obscuros. O que se sabe é que o edifício de tijolo vermelho foi construído em 1868 para fins não declarados sobre uma parcela de terreno e registrado na cidade simplesmente como “barraco”. Em algum momento, em 1884, o edifício foi convertido em um boteco pelo senhor Jennings, que viu uma oportunidade para servir os muitos trabalhadores irlandeses que voltavam dos seus empregos nos matadouros do bairro, cervejarias, fábricas, curtumes e locais de construção.

Em 1902, outro imigrante irlandês, Patrick Joseph Clarke, também chamado “Paddy”, chegou em New York e foi contratado pelo Sr. Duneen, então proprietário, como bartender. O que ficou do primeiro proprietário, o Sr. Jennings, ou quando exatamente a propriedade foi transferida para o Sr. Duneen é desconhecido. “Paddy” atendia no balcão e gerenciou o salão por dez anos antes de economizar o suficiente para comprá-lo completamente do Sr. Duneen, em 1912.

Se tornando uma lenda: 1912 – 1948

Nesta época, mudanças significativas começaram a ocorrer no bairro em volta do pequeno bar de tijolo vermelho. Matadouros foram deslocados para bairros mais afastados, apartamentos de luxo foram demolidos para abrir espaço para apartamentos de classe média. A poucos quarteirões a oeste, o Rockefeller Plaza foi construído, trazendo com ele uma onda de executivos, editores, repórteres e magnatas da mídia.

Com essa agitação cultural e econômica, o P.J. manteve-se teimosamente, desafiadoramente e orgulhosamente o mesmo. Apesar disso – ou, mais provavelmente, por causa disso – o bar prosperou. A lei seca foi apenas um contratempo, quando o P.J. usava suas discretas janelas para vender álcool para clientes habitués. Crianças e mulheres, proibidos de entrar nos bares até a década de 1960, vinham até o P.J. para encher baldes de cerveja escondidos da polícia local.

Na década de 1940, o P.J. Clarke’s já era uma instituição local. O ainda jovem Frank Sinatra terminava suas noites na mesa 20. O cantor Johnny Mercer escreveu a música “One for My Baby” em um guardanapo de papel sentado no balcão do bar. Charles Jackson, autor do clássico livro The Lost Weekend, era cliente frequente, e as cenas do filme premiado no livro foram filmadas lá. E, assim, a lenda cresceu.

Rostos famosos

Desde que Frank Sinatra escolheu a mesa 20 como sua preferida, celebridades, como, por exemplo, Jackie Kennedy e Nat King Cole, se sentem em casa no P.J. Clarke’s.

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Permanecendo entre os gigantes: 1948 – 2000

Patrick Joseph e sua família dirigiram o bar até 1948, ano em que foi vendido para os seus vizinhos do andar superior, os Lavezzos – antiquários e restauradores. Na época, os Lavezzos também compraram o pequeno prédio de tijolo vermelho pela módica soma de US$ 19.000 – uma decisão que seria crucial com a expansão de arranha-céus que aconteceu na década de 1950.

Quando o trilho da Third Avenue foi demolido, em 1955, o mundo em torno do P.J. Clarke’s mudou mais uma vez. Os preços dos imóveis explodiram, somas exorbitantes forçaram as pequenas empresas a sair do bairro e arranha-céus cresceram por todos os lados. Apesar da pressão financeira das incorporadoras, os Lavezzos se recusaram a vender o imóvel. Finalmente, em 1967, a família negociou um contrato de 99 anos com um desenvolvedor, garantindo o futuro do bar. Nas palavras do The New York Times, foi “Davi que prevaleceu sobre Golias”.

Nas décadas seguintes, a cidade continuou a mudar em volta do P.J. e o restaurante continuou a permanecer exatamente o mesmo, servindo moradores, trabalhadores, executivos e celebridades, onde Buddy Holly pedira sua esposa em casamento, Elizabeth Taylor gostava de parar tomar um drink à tarde, Richard Harris era conhecido por seu apetite pelas vodkas duplas, Jackie Kennedy almoçava com seu filho, John Jr., e Nat King Cole batizou os cheeseburgers como “O Cadillac dos Hamburgers”, estabelecendo o nome do que se tornaria o prato ícone do P.J. Clarke’s até hoje.

Um século de bons momentos

1868 O edifício de tijolo vermelho, que se tornaria depois o P.J. Clarke’s é construído na Rua 55 com a terceira Avenida em New York.
1884 Senhor Jennings converte o edifício num bar, para atender os trabalhadores e imigrantes irlandeses, que circulavam na recém-construída linha de trem Third Avenue El, para seus locais de trabalho nas fábricas de curtumes, cervejarias, e locais de construção.
1902 Patrick Joseph Clarke chega da Irlanda de barco, e é contratado como barman e garçom pelo inglês Senhor Duneen, o proprietário da época.
1912 Senhor Duneen volta à Inglaterra em busca de uma esposa e vende o bar para Patrick Joseph Clarke, que coloca seu nome na porta. O bar se torna “P.J. Clarke’s”.

Hoje

No início do ano 2000, o P.J. Clarke’s, junto com o resto da cidade, sofreu com a crise econômica. Depois de um período de incertezas, foi comprado, em 2002, por Arnold Penner, o restauranteur Philip Scotti e um grupo de investidores, incluindo George Steinbrenner e Hutton Timóteo. Naturalmente, os frequentadores assíduos ficaram preocupados e nervosos sobre o que a mudança de propriedade poderia causar. Repentinamente, os novos donos fecharam para “reforma” e a ansiedade cresceu. Quando o bar reabriu, eles descobriram que, além de uma limpeza muito necessária e melhorias de infraestrutura, tudo foi exatamente mantido, até os mínimos detalhes.

O P.J. Clarke’s estava de volta. Melhor do que nunca. O mesmo que sempre foi.

P.J. Clarke’s no Brasil

O P.J. Clarke’s chegou ao Brasil em 2008, pelas mãos do proprietário Phillip Scotti e de um grupo de investidores locais. Rapidamente conquistou os brasileiros. Atualmente, o grupo conta com duas unidades em São Paulo, localizadas no bairro do Itaim Bibi, a primeira aberta fora de NY, e do Jardins, aberta no final de 2012. Os restaurantes são fiéis às unidades nova-iorquinas, com alguns toques brasileiros no cardápio.